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Saboeiro> Dois presos e três foragidos na ‘Operação Avalanche’; Desvio é superior a R$ 5 milhões

Foto - Honório Barbosa / Diário Centro Sul 
Duas pessoas foram presas durante a Operação Avalanche contra corrupção realizada na cidade de Saboeiro, na região dos Inhamuns, na manhã desta quarta-feira, 5. Os presos são: Antonio Fernandes, conhecido por Aílo, do posto de combustível Vitória, em Saboeiro; e o empresário, Antonio Antonerges, em Tauá. A Polícia Civil vem tentando a prisão de mais quatro pessoas. São elas: Uriel Alecar, filho do prefeito Gotardo Martins; José Alves de Alencar, pregoeiro; Pedro Targino Contador e Francimar Martins, que deve se apresentar amanhã. Eles são considerados foragidos.  O promotor de Justiça, Herbet Gonçalves, explicou que coube à equipe de oito promotores apurar os fatos e coletar provas e caberá à Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap) analisar se pede ao Tribunal de Justiça a prisão do prefeito de Saboeiro.

Em apenas seis meses de administração, o Ministério Público estima o desvio de cerca de R$ 5 milhões.      
 OPERAÇÃO   
A Operação Avalanche foi realizada em conjunto entre o MPCE e Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira,  5. Um total de seis mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Saboeiro, todos deferidos pelo Dr. Ramon Aranha da Cruz, juiz de Direito da Comarca de Saboeiro, em escritórios de contabilidade localizados em Tauá, em residências em Fortaleza e Quixadá.
A ação contou com o auxílio de equipes especializadas da Polícia Civil e de oito promotores de Justiça, Herbet Gonçalves Santos, Leydomar Nunes Pereira, Daniel Formiga Porto, Helga Barreto Tavares, Edilson Izaias de Jesus Júnior, Vicente Anastácio Martins Bezerra de Sousa, José Haroldo dos Santos Silva Júnior e Jucelino OliveiraSoares, e mais 100 policiais.
A investigação tem como objetivo apurar a prática dos crimes de fraude de licitações, associação criminosa, falsidade de documento particular, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa e exclusão de dados no sistema informatizado.

Além das prisões, o Ministério Público cumpriu 25 mandados judiciais de busca e apreensão, dentre eles vereadores, empresários, Secretária de Finanças e outros servidores municipais.
O Município de Saboeiro contratou serviço de abastecimento de combustíveis para os veículos da Prefeitura no valor de R$2.796.440,00. Segundo interceptações telefônicas autorizadas pela justiça, o filho do prefeito comandava grande esquema de desvio de combustíveis da Prefeitura, emitindo vales de combustíveis falsos.
O MPCE informou que o esquema consistia na emissão de vales de combustíveis para amigos e conhecidos, com o fim de completar os tanques dos veículos particulares. Além disso, segundo o MPCE, o filho do prefeito emitia vales para abastecimento, mas não realizava o serviço nos veículos da prefeitura, ocasião em que realizava saques de dinheiro em espécie, configurando o crime de falsidade documental, peculato, associação criminosa e usurpação de função pública.
Em inspeção realizada pela comissão do Tribunal de Contas dos Municípios, foram detectadas inúmeras irregularidades no abastecimento dos veículos da Prefeitura. Num único serviço de abastecimento, uma retroescavadeira (com capacidade máxima de 300 litros), abasteceu 1.679 litros, totalizando o valor de R$5.691,00.
O filho do Prefeito também é investigado por exercer, ilegalmente, a função de coordenador de transportes.
Conforme apurado pelo MPCE, Uriel Alencar autorizava o empréstimo de veículos da prefeitura para serviços particulares de amigos, usando os carros até para festas em outros municípios.
No que se refere aos crimes praticados pelos empresários, o MPCE apurou em investigação criminal que os membros da comissão de licitações recebiam propina (“mensalinho”) no valor de R$2.000,00, via transferência bancária. Tais valores eram transferidos, mensalmente, pelo empresário Antônio Antonerges da empresa Conceito Assessoria Municipal, com sede em Tauá.
De acordo com os promotores, os empresários combinavam o resultado das licitações na cidade, tudo em conluio com o pregoeiro da comissão, praticando os crimes de associação criminosa, falsidade documental, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva.
Os fatos estão sendo investigados pelo Ministério Público, entretanto o promotor de justiça Herbet Gonçalves Santos adiantou que o prejuízo ao erário pode alcançar o patamar de R$ 5.441.960,80. 
De acordo com o inquérito civil público instaurado pela Promotoria de Saboeiro, a Prefeitura Municipal gastou, somente em 2017, cerca de R$400 mil em consultorias através das empresas investigadas, porém, segundo o MPCE, a Prefeitura pagava valores para três empresas diversas e somente um serviço era efetivamente prestado, ocasionando um grande prejuízo ao Município.
Ainda de acordo com o MPCE, numa situação específica, o empresário Pedro Sousa Targino recebeu R$107 mil através de sua empresa Souza Targino Serviços Especializados, porém, as investigações apontam que Pedro Targino já recebia um valor mensal de R$5 mil pelo mesmo serviço de assessoria contábil, valor pago pela empresa Conceito.