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Milho irrigado abastece o mercado regional durante o ano inteiro

Os irmãos José Luís, Cícero e José Derrete Alves Bezerra são produtores que servem de exemplo para outros agricultores.  ( Foto: Honório Barbosa )
Iguatu; A vocação agrícola deste município, localizado na região Centro-Sul do Estado do Ceará, mantém-se ativa mesmo o setor enfrentando um período de seis anos seguidos de ocorrência de chuvas abaixo da média ou irregulares e perda de reservas hídricas nos principais reservatórios. Nas várzeas do Rio Trussu, agricultores familiares produzem milho irrigado, abastecendo o mercado regional.
O verde do milharal e a terra úmida contrastam com a paisagem do sertão nessa época do ano, que começa a retornar ao tom cinza da Caatinga no período da estiagem e à aridez do solo. Nos sítios Barra, Gameleira e Varjota, a produção do grão é assegurada com a irrigação por aspersores. A fonte hídrica são os poços perfurados no leito do Rio Trussu. No período chuvoso, reduz-se a irrigação, que se torna complementar, mas, ao longo do segundo semestre, a água oriunda do subsolo assegura o desenvolvimento do milho. "Aqui para nós não tem seca, não tem verão", diz o agricultor Cícero Bezerra, um dos três irmãos dedicados ao plantio do grão irrigado. "Antigamente, só se comia milho no fim do inverno, no mês das festas juninas, mas agora tem em todo mês do ano", completa.

O cultivo irrigado do grão, um dos mais apreciados da safra agrícola sertaneja, atende à demanda sempre crescente nos centros urbanos, na própria zona rural e dos criadores. O milho verde é consumido em forma de espiga (assada ou cozida) ou transformado em canjica, pamonha e bolo.
O grão seco é usado na alimentação animal (bovinos, suínos, aves) e é transformado em massa (amido) para produção de cuscuz, pães e mingaus. Há ainda o aproveitamento do caule e da palha para ração dos bovinos.
Adequação
Os irmãos José Luís, Cícero e José Derrete Alves Bezerra são produtores que servem de exemplo para outros agricultores. Com orientação do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e da Secretaria de Agricultura do Município de Iguatu começaram em 2004 o plantio de arroz irrigado. Na época, havia viabilidade econômica para o cultivo do grão. Depois, investiram em outras áreas de cultivo de melancia, jerimum e feijão. A produção atendia o mercado regional e até Fortaleza. "Deixamos de produzir arroz porque exige muita água e o custo de produção ficou elevado com o consumo de energia. A despesa estava maior que a receita", explica José Luís Bezerra.
Nos últimos oito anos, os irmãos têm se dedicado ao cultivo de milho irrigado. A terra é arrendada. José Luiz e Cícero produzem em área de três hectares, dividida em dez lotes, em forma de rodízio, que permite uma colheita de oito mil espigas por semana. O ciclo produtivo do grão é de 70 dias. Assim, sempre há milho a ser colhido para atender a demanda dos compradores diretamente na propriedade.
Preços
A espiga é vendida na roça por R$ 0,40 aos feirantes e atravessadores. Na feira livre, o produto é revendido ao consumidor final por R$ 1. Ednardo Uchoa e Cosmo Angélico compram 200 espigas diariamente para vender no entorno do mercado Central de Iguatu. "Nesta época do ano, as vendas aumentam 50% por causa das festas juninas, mas a gente sempre vende bem", disse Uchoa.
O milho verde produzido nos sítios Barra do Trussu, Gameleira e Varjota atende a demanda local e dos municípios de Acopiara e Quixelô. "No início, a gente vendia bem para Fortaleza, mas o frete é caro e inviabiliza o negócio", disse José Luiz, que conta com a ajuda de um filho na produção do milho irrigado.
José Derrete Bezerra hoje trabalha com um filho em outra área de três hectares. "Começamos juntos, mas resolvemos nos separar porque os filhos chegaram e ampliaram a mão-de-obra. Além do serviço feito pelos próprios produtores, há trabalhadores contratados para lidar com a lavoura.
Orientação
O atual secretário de Agricultura do Município de Iguatu, agrônomo, Hildernando Barreto, trouxe orientação técnica da Universidade Federal do Ceará (UFC) no início do cultivo de milho irrigado. "Acreditamos no potencial dos agricultores familiares e, com o decorrer do tempo, eles dão o exemplo de sucesso para todos nós", frisou Barreto.
"O nosso esforço é para que outros produtores sigam o modelo implantado na Barra e também tenham trabalho e renda com a agricultura irrigada ao longo do ano", concluiu.
No município de Ipaumirim, também há uma experiência exitosa de plantio de milho irrigado, com apoio e orientação técnica do escritório local da Ematerce. Um grupo de pequenos agricultores produz o grão, que é comercializado em forma de espiga, verde, e o caule e palha para a ração animal, garantindo a renda local