Prefeitura de Catarina

Seja bem-vindo (a). Hoje é

Irregularidade anulou a média chuvosa do ano

 Foto: Honório Barbosa
Os dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) revelam que a quadra chuvosa (fevereiro a maio) deste ano, que observou em média, 554,6mm, foi a melhor desde quando começou o atual ciclo de estiagem que o sertão cearense enfrenta, a partir de 2012. No período, houve déficit de chuva em todos os anos, mas o atual é de apenas 7,7%. O chamado inverno deste ano inclui-se na categoria em torno da média, segundo critérios estatísticos do órgão. A irregularidade das chuvas no tempo e no espaço, no entanto, afetou a reserva hídrica dos açudes e contribuiu fortemente para a frustração
de safra de grãos. A preocupação é com o segundo semestre e com a próxima quadra chuvosa. Em fevereiro de 2018, as reservas devem se esgotar na maioria dos municípios cearenses, agravando o quadro de escassez de água para o abastecimento humano.
O presidente da Funceme, Eduardo Martins, apresentará, nesta terça-feira, o balanço da quadra chuvosa de 2017, com dados mês a mês, índices gerais e por região, bacias hidrográficas e comparativos com períodos anteriores, além de mostrar a situação hídrica, que é grave.
Para a quadra chuvosa são esperados, no geral, 600,7mm, segundo média histórica do Ceará. Foram observados neste ano, no período, 554,6mm. Entre 2012 e 2016, a quadra sempre ficou na categoria abaixo da média. No período atual de seca, o pior ano foi observado em 2012, quando a Funceme registrou apenas, em média, 302.5mm, um déficit de 49,6%.
"A situação das reservas hídricas permanece grave, com perda de volume nos açudes, mas a quadra chuvosa deste ano foi a melhor desde 2012", observou o meteorologista da Funceme, Raul Fritz. "Ocorreu de acordo com a previsão feita pela Funceme, em janeiro passado".
Fritz observa que, em 2016, ocorreu o fenômeno El Niño, que é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, e tem forte influência para a não formação de nuvens de chuva no Ceará. "Neste ano, tivemos condições melhores dos oceanos Pacífico e Atlântico, em particular até a primeira quinzena de abril", explicou. "Infelizmente, as condições mudaram depois de 15 abril e no decorrer de maio, afastando a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é o principal sistema indutor de chuvas no Estado".
Os dados coletados pela Funceme revelam a irregularidade do período chuvoso. Em fevereiro, as chuvas ficaram 32,6% acima da média; em março, houve desvio positivo de 1%; em abril, as precipitações caíram 39,6% em relação ao esperado para o período; e em maio, a queda foi de 28,4%. Observando mês a mês, a quadra chuvosa de 2017 foi positiva em fevereiro e março e negativa em abril e maio. Já por regiões, a parte Norte, que inclui o litoral cearense foi a mais beneficiada. As macrorregiões do Litoral de Fortaleza, Litoral Norte, Maciço de Baturité e Litoral de Pecém registraram índices positivos de chuva. Outras regiões, Ibiapaba, Cariri, Sertão Central e Inhamuns e Jaguaribana observaram déficit, sendo o maior, no Sul do Ceará, o Cariri, com 23,2%.
Segundo Fritz, as condições atuais da temperatura do Oceano Pacífico são de neutralidade.